Projeto JAPI contribui para fortalecer o monitoramento do SPAI


Durante o Encontro SPAI, o Projeto JAPI apresentou pesquisas, indicadores e soluções digitais que fortalecem o monitoramento dos ambientes paulistas de inovação


Texto: Aline Bonholi Barbosa e Gabriel Brito de Souza – JAPI | Foto: Gabriel Brito de Souza – JAPI


O Sistema Paulista de Ambientes de Inovação (SPAI), programa da política pública em inovação da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado de São Paulo (SCTI-SP), alcançou o marco de 100 ambientes credenciados. A rede reúne parques tecnológicos, centros de inovação, incubadoras, hubs e aceleradoras distribuídos por 38 municípios e pelas 16 regiões administrativas paulistas.

A conquista foi celebrada em 26 de junho, na sede da SCTI-SP, durante o Encontro SPAI, que reuniu gestores de ambientes de inovação, representantes de entidades de apoio ao empreendedorismo, titulares de universidades e agentes do poder público. A programação apresentou os avanços da política pública, os indicadores consolidados da rede e as novas ferramentas para o monitoramento dos ambientes, além de marcar a assinatura de um convênio entre a SCTI-SP e o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de São Paulo (Sebrae-SP), voltado ao fortalecimento do ecossistema estadual de inovação.

Entre os destaques do encontro, o projeto Jornada dos Ambientes Paulistas de Inovação (JAPI) apresentou resultados das pesquisas desenvolvidas em parceria com a SCTI-SP e novas ferramentas voltadas ao monitoramento dos ambientes paulistas de inovação. A iniciativa, fomentada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), no âmbito do Programa de Pesquisa em Políticas Públicas, e em parceria com a SCTI-SP, contribui para a produção, integração e análise de dados sobre os ambientes paulistas de inovação, fortalecendo a base técnica que subsidia as ações de monitoramento e os relatórios do SPAI.

Indicadores mostram expansão do SPAI

O crescimento da rede também se refletiu nos indicadores operacionais apresentados durante o encontro. Os ambientes credenciados abrigaram 1.724 startups residentes e desenvolveram 933 projetos com empresas estabelecidas em 2025, segundo dados da SCTI-SP. 

Para o secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado de São Paulo, Vahan Agopyan, o marco representa a consolidação de um processo de aprimoramento institucional da política pública. 

“Esse momento marca a consolidação do aprimoramento que fizemos na política pública do SPAI. Ao facilitar o credenciamento dos ambientes, pudemos ampliar as oportunidades para empreendedores, fortalecer a rede e contribuir para transformar conhecimento em desenvolvimento e competitividade para São Paulo”, afirmou.

O coordenador de Ambientes de Inovação da SCTI-SP, Marcelo Caldeira Pedroso, destacou que a expansão da rede também amplia a responsabilidade de mensurar seus resultados.

“A missão do SPAI é fomentar, articular e fortalecer os ambientes de inovação paulistas e, por meio destes, impulsionar a inovação e o empreendedorismo visando o crescimento econômico sustentável”, disse.

A abertura técnica do encontro foi conduzida por Maria Eliza Damazio de Mello Flores, assessora do SAI na SCTI-SP. Em sua apresentação, ela analisou a evolução recente dos indicadores da rede e destacou o crescimento do número de empresas residentes entre 2024 e 2025, impulsionado sobretudo pelos parques tecnológicos. Também apontou o aumento no número de projetos entregues, inclusive por Centros de Inovação Tecnológica (CITs) a empresas não residentes.

Outro dado ressaltado foi a expansão do fluxo de startups vinculadas aos ambientes. O funil apresentado parte de 1.415 empreendedores em pré-incubação e chega a 46 saídas estratégicas registradas em 2025, indicando maior densidade nas etapas de formação, aceleração, permanência e transição das empresas apoiadas.

Painel integra dados e qualifica o monitoramento

Um dos momentos centrais do Encontro SPAI foi a apresentação, em primeira mão, de um protótipo de painel dinâmico de indicadores desenvolvido em parceria entre a SCTI-SP, o Projeto JAPI, o Supera Parque, a InovaData e a OpenSense.

Desenvolvido para substituir relatórios estáticos, o painel integra informações geográficas, setoriais e operacionais dos ambientes de inovação em uma única plataforma. Atualmente, reúne dados de 35 ambientes com projetos em andamento junto à Secretaria, permitindo acompanhar indicadores e apoiar a gestão da política pública. 

Durante a apresentação, foi destacado que o painel busca reduzir o trabalho repetitivo de preenchimento de questionários pelos ambientes e, ao mesmo tempo, transformar dados administrativos em informação estratégica para gestores, pesquisadores e formuladores de políticas públicas. “O que a gente espera com isso é que vocês possam acessar as informações do ecossistema em tempo real”, ressalta Flores.

O painel também adota o conceito de “projetos multivalorados”, permitindo classificar iniciativas que atuam em mais de uma área temática. Dessa forma, projetos que combinam diferentes frentes de atuação, como saúde, transformação digital e sustentabilidade, podem ser representados com mais precisão. 

A demonstração técnica foi realizada com a participação de Gustavo Eduardo Pereira, bolsista do Projeto JAPI, que atua junto à SCTI-SP e operou o painel ao vivo durante o evento.

Projeto JAPI amplia análise territorial do ecossistema 

Guilherme Ary Plonski, professor da Universidade de São Paulo (USP) e coordenador do Projeto JAPI, apresentou a contribuição da iniciativa para a análise dos ambientes paulistas de inovação. Segundo ele, o projeto propõe uma leitura que considera os ambientes não apenas como estruturas isoladas, mas como parte das dinâmicas econômicas, científicas, institucionais e sociais de cada território. .

Inspirada na abordagem do geógrafo Milton Santos, a metodologia analisa tanto o funcionamento interno dos ambientes quanto suas conexões com universidades, empresas, governos municipais, cadeias produtivas e vocações regionais. Com isso, o JAPI complementa o trabalho da Coordenadoria de Ambientes de Inovação (CAI), da SCTI-SP, ao ampliar a capacidade de análise da rede credenciada.

Big Data, pesquisa científica e comunicação pública estruturam as frentes do projeto

A programação também incluiu apresentações das principais frentes de trabalho do JAPI, organizadas em torno da coleta massiva de dados, da investigação acadêmica e da comunicação pública dos resultados.

Marcos Marcon, sócio-fundador da OpenSense,apresentou a infraestrutura de aquisição e tratamento de dados públicos que sustenta parte das análises do projeto. A plataforma integra informações de bases como Receita Federal, Siscomex, Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), FAPESP e outras instituições, permitindo gerar análises automatizadas sobre o ecossistema paulista de inovação. 

Segundo Marcon, essa base já permitiu a construção dos primeiros mapas automatizados e georreferenciados do ecossistema paulista de inovação, contribuindo para uma leitura mais precisa da distribuição territorial, das conexões institucionais e das características produtivas associadas aos ambientes.

Carlos Augusto França Vargas apresentou a frente científica do projeto, voltada a investigar como a presença de ambientes de inovação — como parques tecnológicos, incubadoras e centros de inovação — se relaciona com a intensidade tecnológica dos municípios paulistas. A equipe já mapeou 87 ambientes de inovação, realizou 34 entrevistas, tem 10 agendadas e prevê outras 43 para o segundo semestre.

Os resultados parciais da pesquisa já foram apresentados em eventos acadêmicos nacionais e internacionais, como o Triple Helix, no México, e o Encontro de Estudos em Estratégia (3Es). O grupo também prepara participação em conferência no Reino Unido (University of Oxford), ampliando a circulação científica das análises produzidas no âmbito do JAPI.

A frente de comunicação foi apresentada por Gabriel Brito de Souza, bolsista do projeto, que detalhou a estratégia de transparência e difusão pública das informações. O site institucional do JAPI reúne dados sobre equipe, parceiros, publicações e eventos, além de disponibilizar um mapa de geolocalização das atividades relacionadas ao projeto. A iniciativa reforça o compromisso de aproximar a produção científica sobre inovação da gestão pública, dos ambientes credenciados e da sociedade.

Convênio com o Sebrae-SP amplia perspectivas de atuação da rede

Além das apresentações técnicas, o evento marcou a assinatura de um convênio entre a SCTI-SP e o Sebrae-SP. O acordo prevê ações voltadas ao apoio a startups e empresas de base tecnológica, à integração dos ambientes de inovação com ecossistemas locais e ao estímulo à inovação em governos municipais.

O diretor-superintendente do Sebrae-SP, Nelson Hervey, destacou o papel das universidades no apoio às deep techs. Para ele, essas startups e os ambientes locais serão o foco principal da nova parceria, por sua capacidade de articular conhecimento, empreendedorismo e desenvolvimento regional. “As universidades são fundamentais no apoio às deep techs, que enfrentam uma jornada mais longa até a consolidação no mercado, e precisam de suporte contínuo para transformar conhecimento em inovação”, disse Hervey.


Sobre o Projeto Jornada dos Ambientes Paulistas de Inovação (JAPI)

O Projeto Jornada dos Ambientes Paulistas de Inovação (JAPI) é uma iniciativa de pesquisa e desenvolvimento com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) através do Programa de Pesquisa em Políticas Públicas (PPPP), e da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado de São Paulo (SCTI-SP) através do Sistema Paulista de Ambientes de Inovação (SPAI). O JAPI desenvolve e implementa metodologias, indicadores e plataformas para mensuração e qualificação de dados sobre os ambientes de inovação em São Paulo, de forma a fortalecer a inteligência territorial e o impacto socioeconômico desses ecossistemas.


Sobre o Sistema Paulista de Ambientes de Inovação (SPAI)

O Sistema Paulista de Ambientes de Inovação (SPAI) é um programa da política pública de inovação do Estado de São Paulo, instituído e regulamentado pelo Decreto nº 60.286/2014. Originado em 2006 com a criação do sistema de parques tecnológicos e ampliado em 2008 com a inclusão de incubadoras e centros de inovação tecnológica, o SPAI incentiva investimentos em inovação e integra iniciativas de pesquisa, empreendedorismo e desenvolvimento científico-tecnológico em diferentes regiões do estado.

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