“JAPI em Movimento”, evento promovido em articulação com a SCTI-SP, apresenta os avanços nas pesquisas de integração dos ambientes paulistas de inovação


Evento online reuniu representantes de universidades, do poder público e dos ambientes de inovação para apresentar o novo site do projeto JAPI, o mapeamento do ecossistema paulista e os desafios da avaliação de impacto em políticas públicas de inovação.


O projeto Jornada dos Ambientes Paulistas de Inovação (JAPI) promoveu, no dia 22 de abril, o evento online “JAPI em Movimento: Integrando os Ambientes Paulistas de Inovação”, em referência ao Dia Mundial da Criatividade e Inovação. O encontro apresentou os avanços recentes do projeto, que tem como objetivo avaliar, integrar e fortalecer os ambientes de inovação do estado de São Paulo, além de discutir caminhos para o desenvolvimento de estratégias de avaliação e monitoramento desse ecossistema.

Organizado em articulação com a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado de São Paulo (SCTI-SP), o evento contou com a presença de Vahan Agopyan, secretário estadual da Ciência, Tecnologia e Inovação (CT&I), ao lado de representantes, pesquisadores e gestores de diferentes ambientes paulistas de inovação. 

“O projeto JAPI transforma o conhecimento científico em instrumento capaz de apoiar a gestão pública paulista. Ao integrar universidades, governo e ambientes de inovação, a iniciativa amplia nossa capacidade de compreender, qualificar e potencializar a inovação nos territórios paulistas”, evidenciou o secretário estadual da Ciência, Tecnologia e Inovação.

Ao longo da programação, foram apresentados a nova interface do site institucional do JAPI, a evolução do mapeamento desses ambientes , os avanços acadêmicos na construção de modelos de avaliação e os desafios para transformar dados em instrumentos de gestão pública.

Projeto JAPI fortalece a avaliação dos ambientes de inovação em São Paulo

Na abertura, o professor Guilherme Ary Plonski, coordenador do projeto JAPI, destacou o caráter colaborativo da iniciativa, submetida à Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) no âmbito do Programa de Pesquisa em Políticas Públicas (PPPP) e, em parceria com a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado de São Paulo (SCTI-SP).

O projeto envolve instituições como Universidade de São Paulo (USP), Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (UNESP), Rede de Ambientes Paulistas de Inovação (API) e Instituto de Economia Agrícola (IEA), com o objetivo de desenvolver metodologias, indicadores e ferramentas digitais para apoiar a avaliação dos ambientes paulistas de inovação.

Durante sua fala, Plonski reforçou que as ferramentas desenvolvidas pelo JAPI buscam apoiar a gestão pública e contribuir para que a sociedade compreenda melhor os resultados gerados pelos investimentos em ambientes de inovação.

“O JAPI nasce de uma questão objetiva: avaliar os ambientes de inovação. Não se trata apenas de verificar o atendimento formal dos recursos, mas de compreender quais resultados e benefícios esses investimentos geram para a sociedade e como eles podem contribuir para a gestão dos próprios ambientes”, destacou o coordenador do projeto JAPI.

Apresentação feita pelo bolsista Gabriel Brito de Souza, sobre o novo site institucional desenvolvido para atuar como uma vitrine pública do projeto JAPI (Créditos: Projeto JAPI)

Novo site institucional apresenta o JAPI no ambiente digital

A primeira apresentação técnica foi conduzida por Gabriel Brito de Souza, bolsista de comunicação do projeto JAPI, que apresentou o novo site institucional da iniciativa.

A plataforma foi desenvolvida para funcionar como uma vitrine pública do projeto, reunindo informações sobre objetivos, equipe, instituições parceiras, publicações, eventos e ferramentas de visualização de dados. Conheça o site do JAPI: projetojapi.com

A apresentação destacou três pilares centrais na construção do site: usabilidade, interface e design. A proposta é oferecer uma navegação simples, intuitiva e acessível, capaz de apresentar dados científicos e informações institucionais de forma clara para diferentes públicos.

Uma das principais ferramentas do site é o mapa interativo, que permite visualizar onde estão localizados os ambientes de inovação no estado de São Paulo, com aplicação de filtros por município, tipo de ambiente, vertentes tecnológicas e segmentos de mercado. [Clique aqui para acessar].

Apresentação feita pelo professor Marcos Marcon, sobre o mapa interativo no site do projeto JAPI, que permite visualizar a localização dos ambientes de inovação no estado de São Paulo (Créditos: Projeto JAPI)

Plataforma de dados avança no mapeamento do ecossistema paulista

Na sequência, o professor Marcos Marcon, sócio-fundador da OpenSense, primeiro hub digital data-driven do Brasil, apresentou a frente de dados do projeto JAPI. A exposição mostrou como o projeto trabalha com bases públicas para apoiar na construção de diagnósticos mais integrados sobre os ambientes de inovação e suas conexões.

Durante a apresentação, Marcon demonstrou uma amostra preliminar do mapeamento de deep techs — ou seja, startups brasileiras baseadas em pesquisas científicas —, construído a partir do cruzamento de dados do Mapeamento dos Ambientes de Inovação de São Paulo [Clique aqui para acessar], elaborado pela Coordenadoria de Ambientes de Inovação (CAI), da SCTI, além de informações da Receita Federal, do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) e de bases de pesquisadores da área.

Segundo a proposta, a base inicial identificou cerca de 5 mil deep techs no Brasil, das quais pelo menos 25% estão localizadas no estado de São Paulo. Esse levantamento também vem permitindo cruzamentos com verticais tecnológicas, segmentos de mercado e informações territoriais dos ambientes paulistas de inovação, ampliando a capacidade de análise sobre a distribuição e o perfil das startups de base científica no estado.

“A principal contribuição da frente de dados ao JAPI é trazer assertividade estatística e metodológica. Hoje existe uma oferta extraordinária de dados públicos em diferentes níveis de governo, mas esses dados ainda estão desconexos. Nosso trabalho é estruturar essas bases, e recombiná-las em análises capazes de apoiar a leitura do ecossistema de inovação”, explicou Marcon.

Apresentação feita pelo pesquisador Carlos Augusto França Vargas, detalhou os avanços científicos da pesquisa na construção de modelos de avaliação dos ambientes de inovação (Créditos: Projeto JAPI)

Frente acadêmica propõe modelo de avaliação em cinco tipos de capitais

A frente acadêmica do projeto JAPI foi apresentada pelo pesquisador Carlos Augusto França Vargas, que detalhou os avanços científicos da pesquisa. A equipe trabalha na construção de modelos capazes de avaliar o desempenho e o impacto dos ambientes de inovação de forma multidimensional.

Entre as atividades já realizadas estão revisão sistemática da literatura, pesquisa bibliométrica, submissão e apresentação de artigos em congressos nacionais e internacionais, além de entrevistas com gestores e visitas técnicas a ambientes de inovação.

A proposta de avaliação apresentada parte de cinco grandes dimensões: capital social, capital tecnológico, capital de infraestrutura, capital humano e capital financeiro. Esses eixos orientam a definição de indicadores e ajudam a compreender os resultados produzidos pelos ambientes de inovação em diferentes níveis.

Segundo Vargas, a equipe do Projeto Japi já realizou 23 entrevistas com ambientes integrantes do Sistema Paulista de Ambientes de Inovação (SPAI), além de visitas presenciais a ambientes como Parque Científico e Tecnológico da Unicamp, Supera Parque, Parque Tecnológico de São José dos Campos, Parque Tecnológico Botucatu, IPT Open e outros espaços estratégicos do ecossistema paulista.

“O foco das entrevistas é entender, junto aos ambientes de inovação, quais são as principais métricas, formas de coleta e análise de dados, além da interligação desses ambientes com o ecossistema. A ideia é que esse diálogo ajude a aprimorar a avaliação e a aproximar a pesquisa das necessidades reais da gestão”, afirmou o pesquisador.

Apresentação feita pelo professor Marcelo Pedroso, que comentou sobre os dados consolidados em abril de 2026 no Mapeamento dos Ambientes de Inovação de São Paulo (Créditos: Projeto JAPI)

SPAI registra novos ambientes de inovação no estado de São Paulo

O encontro também contou com a participação do professor Marcelo Caldeira Pedroso, coordenador de Ambientes de Inovação da SCTI-SP, e de Maria Eliza Flores, que apresentaram os avanços do mais recente Mapeamento dos Ambientes de Inovação de São Paulo.

Também integram a equipe técnica da SCTI que contribui para o projeto Bruno Mira David, Margareth Lopes Leal e Morganna Karolinne Lúcio Alves Tito, reforçando o papel da Secretaria na articulação, sistematização e qualificação das informações sobre os ambientes paulistas de inovação.

De acordo com os dados consolidados em abril de 2026, o estado de São Paulo conta atualmente com 97 ambientes de inovação, distribuídos por todas as regiões administrativas. O levantamento inclui 14 parques tecnológicos, 27 incubadoras, 32 centros de inovação, 13 hubs de inovação e 11 ambientes em outros formatos.

Ao comentar os desafios da gestão pública na área, Pedroso destacou a importância de avaliar os efeitos dos investimentos realizados nos ambientes de inovação.

“O desafio que temos na Secretaria é compreender, a partir do investimento feito em ambientes de inovação, quanto isso gera de contribuição para a sociedade. A inovação pode produzir resultados econômicos, sociais e ambientais, mas esses efeitos não são imediatos. Por isso, precisamos mensurar como o investimento de hoje afeta a inovação e o desempenho socioeconômico ao longo do tempo”, enfatizou Pedroso.

Flores também explicou que a metodologia do mapeamento foi iniciada em 2024 e vem sendo aprimorada anualmente pela equipe técnica da SCTI, com o objetivo de tornar a coleta mais objetiva, reduzir a carga de preenchimento pelos gestores e, ao mesmo tempo, ampliar a qualidade das informações disponíveis para subsidiar políticas públicas de CT&I.

Esse movimento faz parte de uma agenda mais ampla de integração de mapeamentos, bases de dados e plataformas conduzida pela SCTI, especialmente por meio da Coordenadoria de Ambientes de Inovação, buscando consolidar uma visão mais precisa sobre o ecossistema paulista de inovação e apoiar decisões relacionadas a fomento, regionalização de investimentos, monitoramento de resultados e mensuração de impacto.

“Entre os dados apurados, um dos destaques foi o crescimento no número de startups mapeadas. O levantamento passou de 800 startups no ano anterior para um pouco mais de 2.000 startups no ano-base 2025, considerando diferentes estágios de evolução”, pontuou Flores.

Outro destaque foi a apresentação dos perfis dos membros associados do SPAI, categoria que amplia a leitura sobre o ecossistema paulista ao incluir atores que contribuem para a articulação, qualificação e dinamização das redes de inovação no estado, mesmo quando não se enquadram diretamente nas categorias tradicionais de parques tecnológicos, incubadoras ou centros de inovação tecnológica.

Esse avanço reforça a importância de ampliar a coleta, o cruzamento e a análise de informações sobre o ecossistema paulista, especialmente diante de um dos principais debates do evento: o desafio de mensurar, com mais precisão, o impacto dos investimentos públicos realizados nos ambientes de inovação.

Apresentação feita pela Maria Eliza Flores, que explicou os avanços no mapeamento mais recente do SPAI, agora aprimorado para tornar a coleta mais objetiva (Créditos: Projeto JAPI)

Sobre o Projeto Jornada dos Ambientes Paulistas de Inovação (JAPI)

O Projeto Jornada dos Ambientes Paulistas de Inovação (JAPI) é uma iniciativa de pesquisa e desenvolvimento com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) através do Programa de Pesquisa em Políticas Públicas (PPPP), e da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado de São Paulo (SCTI-SP) através do Sistema Paulista de Ambientes de Inovação (SPAI). O JAPI desenvolve e implementa metodologias, indicadores e plataformas para mensuração e qualificação de dados sobre os ambientes de inovação em São Paulo, de forma a fortalecer a inteligência territorial e o impacto socioeconômico desses ecossistemas.


Sobre o Sistema Paulista de Ambientes de Inovação (SPAI)

O Sistema Paulista de Ambientes de Inovação (SPAI) é um programa da política pública de inovação do Estado de São Paulo, instituído e regulamentado pelo Decreto nº 60.286/2014. Originado em 2006 com a criação do sistema de parques tecnológicos e ampliado em 2008 com a inclusão de incubadoras e centros de inovação tecnológica, o SPAI incentiva investimentos em inovação e integra iniciativas de pesquisa, empreendedorismo e desenvolvimento científico-tecnológico em diferentes regiões do estado.


Sobre a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado de São Paulo (SCTI-SP)

Estabelecida em janeiro de 2023, a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado de São Paulo (SCTI-SP) tem o papel de formular, implantar e coordenar a execução de políticas públicas voltadas à promoção da pesquisa e da inovação tecnológica, bem como na oferta de ensino profissionalizante, técnico, tecnológico e superior.

A Secretaria conta com as seguintes entidades vinculadas: Universidade de São Paulo (USP), Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (UNESP), Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), Fundação Universidade Virtual do Estado de São Paulo (UNIVESP), Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo S.A. (IPT), Centro Estadual de Educação Tecnológica “Paula Souza” (CPS), Faculdade de Medicina de Marília (FAMEMA), Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto (FAMERP) e o Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (IPEN).