Durante painel no CIW 2025, especialistas em ciência, tecnologia e empreendedorismo, protagonizaram debates sobre colaboração e soluções para impulsionar a inovação em São Paulo.
O segundo dia do Campinas Innovation Week (CIW) 2025 teve entre os destaques o painel “A força dos Ambientes de Inovação para o Ecossistema Paulista”, que reuniu lideranças da Rede dos Ambientes Paulistas de Inovação (API) e convidados estratégicos para debater os avanços e desafios do setor no Estado de São Paulo.
O diálogo aconteceu no palco BLUE Stage e também contou com a apresentação do Projeto Jornada dos Ambientes Paulistas de Inovação (JAPI), iniciativa em parceria com a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado de São Paulo (SCTI), voltada ao fortalecimento sistêmico dos ambientes de inovação paulistas.

Conexão para impulsionar o ecossistema paulista de inovação
A abertura do painel foi conduzida por Paula Helena Ortiz Lima, diretora presidente da API e CEO no CIETEC – Centro de Inovação, Empreendedorismo e Tecnologia. Em sua fala introdutória, Lima destacou o papel fundamental da API na conexão e articulação dos mais de 30 ambientes associados, públicos e privados, ressaltando a missão de impulsionar o ecossistema paulista em âmbito nacional e internacional.
“Nosso objetivo é promover a integração efetiva entre parques tecnológicos, hubs, incubadoras e aceleradoras, criando uma rede forte e colaborativa capaz de gerar impactos reais no desenvolvimento econômico, social, científico e tecnológico do Estado”, afirmou a diretora da API.
A diretora pontuou os principais desafios para a consolidação do setor, como a escassez de financiamentos e a dificuldade em transformar patentes acadêmicas em produtos de mercado. Evidenciando ainda, que muitos talentos profissionais não recebem suporte adequado para permanecerem envolvidos nas etapas mais avançadas do desenvolvimento tecnológico inovador.

“Há uma lacuna preocupante entre a formação desses profissionais e sua permanência ativa em ambientes inovadores, especialmente em áreas como deep tech. Precisamos investir mais em políticas que incentivem o engajamento contínuo desses talentos, da universidade até a maturidade das startups e empresas inovadoras”, pontuou a CEO do CIETEC durante sua apresentação.
Lima também evidenciou que as mudanças recentes proporcionadas pelos marcos legais de ciência, tecnologia e inovação têm potencializado o papel dos gestores engajados na implementação de políticas públicas voltadas para o avanço tecnológico. Bem como, ela sublinhou que, mais do que mudanças nas leis, é necessário adotar uma postura transformadora com o ecossistema, destacando que superar burocracias exige mais atitude e engajamento coletivo.
Debate acentua a integração das estratégias para o futuro do ecossistema
Encerrada a abertura do painel, Flávio José Anequini, diretor de associados da API e especialista em gestão empresarial da Agência de Desenvolvimento e Inovação Brasileira (Agência Inova) – Sorocaba, assumiu o debate e abordou a importância do tema no CIW para o desenvolvimento econômico, social e tecnológico do Estado.
“Fomentar a colaboração entre ambientes de inovação é essencial para transformar São Paulo em referência. O debate de hoje reforça nosso compromisso em criar pontes, estimular conexões e fortalecer o ecossistema paulista para o futuro da inovação”, explicou o mediador do painel.
Na sequência, André Santos, diretor administrativo-financeiro da API, diretor-executivo da Agência Inova e representante do Parque Tecnológico de Sorocaba, reforçou a riqueza e diversidade dos ambientes paulistas, mas observou que esse potencial ainda é pouco conhecido, até mesmo nacionalmente.
“Temos uma rede com mais de 3 mil empresas atendidas por ano, 32 ambientes associados e mais de R$ 6 bilhões em faturamento das empresas, mas é preciso comunicar melhor esse potencial e gerar mais conexões de impacto entre academia, governo, empresas e sociedade”, enfatizou Santos ao defender a importância de transformar esses resultados, em dados científicos mais visivelmente adequados para o conhecimento público.

Outro destaque foi a participação de Mariana Zanatta Inglez, coordenadora de ambientes de inovação e empreendedorismo na Agência de Inovação da Universidade Estadual de Campinas (Inova Unicamp), que representou o Parque Científico e Tecnológico da Unicamp, gerenciado pela Inova Unicamp.
Durante o painel, Zanatta Inglez compartilhou exemplos práticos de como a integração em rede facilita a conexão de competências e fortalece o desenvolvimento regional. Ela ressaltou, ainda, a importância do reconhecimento nacional do Parque Científico e Tecnológico da Unicamp, resultado do suporte contínuo oferecido à comunidade de inovação.
“O Parque da Unicamp atua tanto no fortalecimento do ecossistema de inovação de Campinas como também em âmbito nacional, pois oferece um ambiente qualificado para o desenvolvimento de tecnologias. Esse papel se amplia ainda mais no contexto da Rede API, que tem sido essencial para articular e integrar os diversos ambientes de inovação do estado de São Paulo”, declarou Zanatta Inglez.
Ao contribuir com o debate, Nicolle Loureiro, advisor do Sistema Paulista de Ambientes de Inovação (SPAI) e gestora do Distrito de Inovação de São Paulo, compartilhou sua experiência à frente da articulação de microecossistemas inovadores. Ela apontou que os principais gargalos para o avanço do ecossistema ainda são a integração e a comunicação entre os atores.
“Os espaços de inovação nascem justamente para ser uma janela de oportunidades, promovendo políticas públicas e aproximando ambientes que, juntos, tornam São Paulo uma superpotência tecnológica”, avaliou Loureiro sobre o panorama do ecossistema paulista.

Fechando o painel, o professor Guilherme Ary Plonski, da Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Atuária da Universidade de São Paulo (FEA-USP) e coordenador do Projeto JAPI, apresentou a iniciativa ligada ao SPAI, que visa mapear os ambientes de inovação paulistas e propõe avaliações para qualificar políticas públicas mais eficazes. Nesse contexto, ele defendeu uma abordagem sistêmica para a gestão dos ambientes, baseada em dados, modelos de avaliação e governança colaborativa.
“Nosso propósito é construir uma plataforma interativa e diagnósticos que orientem políticas públicas mais eficientes, promovendo decisões baseadas em evidências e ampliando o impacto socioeconômico dos investimentos em inovação”, destacou Plonski sobre o projeto.
Esse encontro promovido durante o CIW 2025 se consolidou como um diálogo e convite à participação de novos ambientes, reforçando o papel integrador da Rede API. Bem como, elevou a importância de fomentar mais conexões, ampliar a visibilidade do ecossistema paulista e consolidar o Estado de São Paulo como referência em inovação no Brasil.
Sobre a Rede de Ambientes Paulistas de Inovação (API)
A Rede de Ambientes Paulistas de Inovação (API) é uma associação de ambientes de inovação do estado de São Paulo, que congrega parques tecnológicos, incubadoras, hubs, aceleradoras e centros de inovação de diferentes regiões do estado. A Rede também atua na articulação entre governo, empresas e academia para promover o desenvolvimento socioeconômico, a geração de conhecimento e o fortalecimento do ecossistema de inovação do estado.
Sobre o Projeto Jornada dos Ambientes Paulistas de Inovação (JAPI)
O Projeto Jornada dos Ambientes Paulistas de Inovação (JAPI) é uma iniciativa de pesquisa e desenvolvimento com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) através do Programa de Pesquisa em Políticas Públicas (PPPP), e da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado de São Paulo (SCTI-SP) através do Sistema Paulista de Ambientes de Inovação (SPAI). O JAPI desenvolve e implementa metodologias, indicadores e plataformas para mensuração e qualificação de dados sobre os ambientes de inovação em São Paulo, de forma a fortalecer a inteligência territorial e o impacto socioeconômico desses ecossistemas.

